Repressão síria mata pelo menos 136 civis
Damasco - Pelo menos 136 pessoas morreram neste domingo durante uma ofensiva do Exército sírio em várias cidades do país, em um dos dias mais sangrentos desde o início da revolta contra o regime do presidente Bashar al-Assad. A maior parte das mortes ocorreu na cidade de Hama, situada a 210 km ao Norte da capital, Damasco, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que cita fontes médicas. "As forças do Exército e da segurança que invadiram esta manhã a cidade de Hama abriram fogo contra civis indefesos, matando 95 e causando dezenas de feridos", disse Rami Abdel Rahmane, presidente da OSDH.
Também houve mortes em Deir Ezzor, no Leste, e em Harak, no Sul. Hama tem grande importância para o movimento contra o governo, pois o pai de Al-Assad, o falecido presidente Hafez al-Assad, enviou suas tropas ao local para pôr fim a uma revolta em 1982, arrasando bairros inteiros e matando 20 mil pessoas, no episódio mais sangrento da história moderna da Síria.
O movimento contra Al-Assad, no poder há 11 anos, surgiu em março, inspirado nas revoluções árabes na Tunísia e no Egito, e se espalhou pelo país. Desde o início da rebelião, os confrontos deixaram mais de 1.900 mortos, incluindo mais de 1.500 civis, segundo balanço do OSDH. Mais de 12 mil pessoas foram presas.
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou estar chocado com a repressão na Síria e prometeu aumentar a pressão sobre o regime de Al-Assad. Obama elogiou os manifestantes que tomaram as ruas e disse que a Síria será um "lugar melhor" quando avançar para uma transição democrática. Para o ministro britânico de Relações Exteriores, William Hague, "esses ataques são ainda mais chocantes porque ocorrem na véspera do Ramadã (mês sagrado para os muçulmanos)".